Mesa de Mistura

Primeiras impressões sobre o filme dos Coldplay

Doze anos depois de terem chegado a Paredes de Coura no verão de 2000 como heróis locais e perfeitos desconhecidos no exterior, os Coldplay do presentesão magnatas do sing-a-long. Durante o filme, afirmam sem pudor que têm como objectivo diário, durante as digressões, fazer com que as “pessoas saiam felizes” do concerto. Chamam-lhe “espírito comunitário” e garantem não acreditar “no mito do rock’n’roll” – aquele que separa artistas de público.

Coldplay Live 2012, o documento da digressão que ainda gatinhava no Optimus Alive e já chegou adulta ao Estádio do Dragão é mais concerto que filme e, em palco, os Coldplay são o que são com todas as virtudes e defeitos que se conhecem. De um lado, a ambição de acrescentar um ponto à história do rock – ambição para a qual contam com um estudioso das digressões – com notáveis resultados do ponto de vista cénico. Nisso, a digressão Mylo Xyloto é exemplar. Do outro, uma banda sonora com uma gama variada de refrões mas demasiado média para uma banda que assume ambicionar mais. Ou então, é o compromisso popular a impedir outros voos.

Este concerto-filme mostra tudo o que se passa em palco mas guarda demasiado sobre os bastidores e da produção. Há comentários oportunos, é certo, mas demasiado esporádicos. “Não mostramos muito”, comenta Chris Martin num discurso final, explicando que os Coldplay têm problemas como todas as outras bandas grandes. É uma opção mas era mais útil espreitar pelo buraco da fechadura do que ouvi-los a explanar banalidades como “esta é nossa melhor digressão” e “a partir daqui somos livres”. As imagens servem para isso: explicar o que não é necessário dizer.

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Data única de exibição: 13 de Novembro nos Cinemas ZON Lusomundo Amoreiras, Braga Parque, CascaiShopping, Dolce Vita Coimbra, NorteShopping, Parque Nascente e Vasco da Gama. Edição em CD/DVD e Blu-Ray a 19.