Ithaka – a prancha que surfou nas ondas do hip hop

Rapper, contador de histórias, surfista, escultor e fotógrafo. Darin Pappas era um praticante do multitasking artísticoantes da globalização do shuffle mas as ondas a que o dono da marca Ithaka se dedicava eram especificamente as do mar.

Californiano de sangue, natural de Los Angeles, veio para Portugal nos primeiros anos 90 e a primeira canção a que deu voz foi só aquele que é o hino maior da música portuguesa de dança: o eterno So Get Up, ainda hoje um gatilho de pista, sobre o qual se envolveria numa polémica por, alegadamente, não ter recebido os direitos devidos.

Já sob o pseudónimo Ithaka, assinou Flowers and the Colour of Paint, álbum de reaproveitamento de roupa velha produzido pelo coleccionador de discos Pedro Passos, em 1995. Uma pequena mas influente comunidade celebrou a importação da cultura do sample, não inteiramente virgem, mas acrescido com o talento de contador de histórias de Pappas, em regime spoken word, politizadamente pessoal e vagamente boémio.

Em 2007, seria editado o mais orgânico Stellafly, de onde foi retirada uma das canções que então marcaram a agenda: Seabra Is Mad. O então suplemento do Público, Sons (quando havia espaços exclusivamente dedicados à música nos jornais generalistas), haveria de o eleger álbum do ano. No ano seguinte, os Ithaka deram os primeiros concertos, tendo arrancado com um showcase na Antena 3 a convite de Henrique Amaro, e passado, por exemplo, pela Parque das Nações, onde o radialista era um dos programadores.

No final do século, Darin abandonou Lisboa onde voltaria regularmente para gravar e expor. A pasta da reciclagem guarda até hoje a memória de uma personagem ímpar que tornou certo o tempo em Portugal (e beneficiou de um contexto de abertura ao hip hop e à música negra em geral proporcionado por, entre outros, General D, Pedro Abrunhosa e Black Company) e marcou a segunda metade dos anos 90. Ironia das ironias, Pappas está em Portugal para inaugurar uma exposição no dia 23. Fiquem com a entrevista ao Curto Circuito de Darin Pappas, agora com 46 (!) anos.

 

0 comments

  1. dr · Novembro 28, 2012

    Ithaka começou por ser um grupo com Darin e Passos. Depois deu-se a saida deste último e a formação foi alargada. Como ele era conhecido por Korvowrong (+/-) não se tratava de um pseudónimo. É curioso que Darin apesar da polémica com o USL voltou a trabalhar com Dj Vibe e isso nem sempre é referido.Também se podia falar da ligação ao Brasil e das colaborações que teve recentemente. PS: A frase que fala dos anos 90 tem alguns erros de concordância.

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  2. Davide Pinheiro · Novembro 28, 2012

    Caro dr. Fui reler a frase e não encontrei erros de concordância. A expressão “primeiros anos 90” é intencional (se é essa a razão da observação). O foco do meu artigo foi mesmo o passado – a entrevista ao CC só surgiu porque se tratava de um evento na semana do post.

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