Indie também dança? Claro! A aurora de Diffraction/Refraction é eufórica. After December nasce o primeiro grande álbum português do ano. Uma prova de superação sem desvio de identidade em que a escrita é reforçado e os arranjos aprimorados.
Se há um pop/rock universalista de Brooklyn ao paredão de Oeiras, é aí que os You Can’t Win Charlie Brown se inscrevem. Preocupados em escrever a melhor canção de sempre dos próximos três minutos e neste segundo álbum há várias. After December optimista e galopante a rasgar postos de escuta. Fall For You em regime soft rock à Midlake com superior arranjo de cordas no centro. Deliciosamente complicado como os These New Puritans do magnífico Field of Reeds.
Diffraction/Refraction é um bloco homogéneo, sólido como uma rocha mas belo de se ouvir em que os estados variam de canção para canção. Ora mais esperançosos, ora taciturnos mas sempre inventivos nas harmonias vocais em que a ubiquidade de Charlie Brown se desdobra e nas electrónicas subtis que enriquecem o universo folk contemporâneo não só inspirado por Nick Drake ou Tim Buckley mas também por contemporâneos como Grizzly Bear ou Air.
É um mal necessário hiper-ligar os You Can’t Win Charlie Brown a referências familiares. Não se reinventa a roda nestas canções. São apenas imagens emocionais em banda sonora sem filme que mais do que o novo procura o belo e chega a ser sublime como na primogénita dos Arcade Fire Shout.
Diffraction/Refraction é mais aventureiro que Chromatic (2011) e tem outra soltura na escrita mas não abandona o condomínio folk onde sempre moraram. Se o primeiro álbum deixara boas pistas e o concerto em que moldaram Velvet Undergound & Nico no Lux antecipou um futuro radioso, esta é a confirmação de que há muito talento para lá da receita indie prática.
Diffraction/Refraction é editado na próxima segunda-feira. O concerto de apresentação é este sábado no Centro Cultural de Belém.
