A coolness no hip-hop tem um nome. Com três palavras apenas se escreve De La Soul, a banda charneira da daisy age, autora do seminal 3 Feet High and Rising que em 1989 anunciou como seriam os anos seguintes. Os autores dessa obra-prima são Kelvin Mercer (Posdnuos, Mercenary, Plug Wonder Why, Plug One), David Jude Jolicoeur (Trugoy the Dove, Dave, Plug Two) e Vincent Mason (P.A. Pasemaster Mase, Maseo, Plug Three) estão hoje de parabéns. 3 Feet High and Rising faz 25 anos e para celebrar com os fãs, a banda vai oferecer toda a discografia para download gratuito a partir das 14h00 e por um período de 25 horas.
Para tal, basta seguir até ao site oficial e descarregar os álbuns favoritos. Não só 3 Feet High and Rising, obrigatório numa boa colecção de discos de hip-hop e não só, mas também De La Soul Is Dead, Stakes Is High e Artificial Intelligence merecem ser redescobertos. Mas é o primeiro que ainda hoje resiste indestrutível no altar De La Soul e daquele que é um dos períodos mais ricos da história da cultura pop.
No final dos anos 80, o hip-hop chegava ao fim da primeira década de vida visível e já com poucos vestígios do período electro. Aquele em que despontaram Grandmaster Flash e Afrika Bambaataa. Mas ainda fortemente influenciado pela cultura do breakdance ou não estivessem interligadas as quatro disciplinas do hip-hop: além desta, rap, graffiti e turntablism. Surgiam então bandas com uma fortíssima vertente politizada como os Public Enemy e os N.W.A. de Dr. Dre e Ice Cube, pioneiros da cena gangsta que viria a crescer durante os anos 90 até as mortes de 2Pac e Notorious B.I.G. terem também elas morto uma cena que acabou vítima das rivalidades entre gangues da Costa Este e Costa Oeste.
O filme dos De La Soul era outro. Festivo e colorido. Mensagem positiva e canções para dançar como o clássico Me, Myself & I e a inesquecível 3 Is The Magic Number. 3 Feet High and Rising era um álbum de paz e harmonia (hippie!) que valia a pena só pela bibliografia sonora. Os samples não pagos a artistas como Johnny Cash (em quem se inspiraram para o título), Hall & Oates, Steely Dan e The Turtles custaram horas de reuniões com advogados à editora Tommy Boy.
Exortava-se o sexo (Jenifa Taught Me) ou simplesmente o amor (Eye Know); temas pouco explorados no rap como a insegurança quanto a própria aparência e a relação com a moda (Can U Keep a Secret, A Little Bit of Soap e Take It Off) eram visitados por uns De La Soul que já então faziam a diferença para o contexto que os rodeava.
Dezenas e dezenas de nomes seguiram esta pegada. No imediato, A Tribe Called Quest, EPMD ou Digable Planets e, ao longo do anos, Pharcyde ou Black Eyed Peas (pois…).
Para este ano, está previsto o há muito aguardado sucessor de The Grind Date (2004). Chama-se You’re Welcome e de acordo com Posdnuous à Rolling Stone, deverá ser editado até ao verão. Mas ainda antes deverá sair um EP com beats de DJ Premier e Pete Rock. 25 anos de 3 Feet High and Rising, sim, mas a olhar para a frente.