Surpresa?! O novo álbum de Thom Yorke nasce “à Radiohead”

Thomyorke

O enigma nasceu no princípio da semana quando Thom Yorke publicou mensagens vagas nas redes sociais. A primeira um disco de vinil branco e um dia mais tarde uma foto da letra de A Wolf At The Door com palavras adicionais em relação ao original de 2003 dos Radiohead. Estas pistas aduzidas à notícia de que a banda estaria de volta a estúdio deixaram os fãs a salivar mas era falso alarme. Ou parte, já que afinal havia mesmo outro álbum. O segundo a solo do vocalista depois de Eraser de 2006 e, tal como In Rainbows dos Radiohead, mandatado para testar um modelo experimental de distribuição.

Yorke e o produtor Nigel Godrich não o escondem na carta enviada a anunciar Tomorrow’s Modern Boxes. “Estamos a experimentar usar uma nova versão do BitTorrent para distribuir um novo álbum de Thom Yorke (…) Os novos ficheiros Torrent têm uma portagem paga de acesso (…) Se funcionar bem, pode ser uma forma efectiva de devolver o controlo do comércio na Internet às pessoas que criam. Permitir às pessoas que fazem música, vídeo ou outro tipo de conteúdo digital vendê-lo por si. Escapar à malha dos filtros. Se funcionar, qualquer pessoa pode fazê-lo como fizemos. O mecanismo torrent não requer upload para nenhum servidor, custos de armazenamento ou a banha de cobra da nuvem”, defendem.

Yorke é coerente com as suas declarações atacantes de serviços como o Spotify e, ao contrário da distribuição ao preço pretendido pelo utilizador de In Rainbows que usava um modelo já utilizado por bandas e editoras anónimas, testa um modelo de raiz. Uma experiência, como soi dizer-se, que, em primeira instância, demonstra não só a imprudência como a inoportunidade da “operação U2” da Apple. Urge porém explicar que no caso de Songs of Innocence mais não foi que uma operação disfarçada de charme, impositiva na sua raiz e falhada na conclusão. A confissão de culpa está na criação de uma ferramenta de remoção do álbum dos irlandeses. E ainda hoje, o management de Beyoncé se mostrava contra o gesto abençoado por Tim Cook e Bono.

Tomorrow’s Modern Boxes é uma cobaia na tentativa de estreitar relações entre criador e consumidor. O BitTorrent é também um filtro mas a avaliar pelo comunicado de Thom Yorke e do produtor, não cobra comissões de transferência como os cartões de débito e crédito nem obriga a usar serviços externos de armazenamento nem ao último recurso da “nuvem”.

É bem provável que o acto gere discussão. Resta saber se um precedente está para nascer daqui porque a experiência recente demonstra que o combate ao desinteresse generalizado pela compra de música em geral e pelo formato álbum em particular vem da forma. Por isso, o primeiro single e vídeo de Tomorrow’s Modern Boxes vem na última linha e é o prolongar das costuras texturais reinvindicadas pelos Radiohead no díptico Kid A/Amnesiac, ressuscitadas em Eraser e exponenciadas em Amok dos Atoms For Peace.

Nada de novo no reino de Thom Yorke que pode ser acedido via BitTorrent. É lá que se pode ver e ouvir Brain In a Bottle e adquirir o álbum a editar amanhã por seis dólares.

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