Guest List: Jibóia

Jiboianova

Óscar Silva não é Peter O’Toole mas também podia ser da Arábia. Jibóia da Arábia. O ovo rebentou e o primeiro álbum já serpenteia entre Portugal e outras latitudes porque a bússola deste guitarrista aponta para o Oriente.

Quem já ouviu Jibóia, poderá confirmar que o cesto de referências é uma verdadeira caixinha de surpresas. Como decifrar o mapa de uma sonoridade tão terrorialmente demarcada e distante do ocidente? Óscar Silva escolhe referencia mantras entre a filosofia hindu e o humor das bandas sonoras Bollywood.

Esta quarta-feira, a Jibóia prova que é um animal de hábitos nocturnos e fuma uma xixa no Musicbox depois das 22h30. Ementa obrigatória ao jantar: caril. Repete no Maus Hábitos portuense na quinta-feira.

AHMAD AL KOSEM – LOVE IS NOT A JOKE

Descoberta numa compilação de música Síria. Um Dabke agressivo com um nome meloso. 

URFALI BABI – BAGKUR GARDASIM

Músico turco, anos setenta. O rei dos riffs cliché das arábias. Reparem naquela guitarra.  

PANDIT PRAN NATH – RAGA YAMAN KALYAN

Um mantra arrepiante de um dos maiores professores de canto hindu.  

OMAR KHORSHID – RAKSET EL FADAA

Actor e músico egípcio, fez inúmeras bandas sonoras nos anos 60-70. Apesar de ser um guitarrista virtuoso, o que mais me impressiona nas composições são os ritmos e as percussões riquíssimas, e os solos dos teclados, principalmente nesta música. 

THE DEVILS ANVIL – SELIM ALAI

Devaneio de um conjunto de músicos de Nova Iorque gravado pelo produtor de Wheels of Fire, dos Cream. O único álbum que compuseram chama-se Hard Rock From The Middle East. Só aqui já se percebe a dose de ironia e ao mesmo tempo de genialidade deste disco. 

 URFALI BABI – DISKO KEBAP (BARIS K REMIX)

Remistura da melhor música de Urfali Babi pelo mestre das compilações, das remisturas e das descobertas da música psicadélica, disco e folk do médio oriente, Baris K. 

ÇUTA KEBAB & PARTY – XUTA BOMBA

Provavelmente se eles tocassem mais, JIBÓIA não tinha espaço no mercado. O mestre Ghuna-X & companhia juntam samples descarados e beats violentos numa mistura de música de dança e banda sonora de um filme de suspense. Das melhores coisas que vi ao vivo no ano passado. 

AKLI YAHIATEN – YA MOURRAJAB

Um amigo trouxe-me um disco do Akli numa viagem à Argélia. Descobri há pouco que compôs esta música na prisão. Não pesquisei mais. Nunca mais falei com o meu amigo.  

KAMURAN AKKOR – IKIMIZ BIR FIDANIZ

Conheci-a através do Fitz. Voz feminina turca do anos 60-70. Tem um groove imenso. 

CHARANJIT SINGH – RAGA BHAIRAV

Este grande senhor indiano foi dos pioneiros da música electrónica na Índia. Tem este álbum genial em que traduz ragas para sintetizadores e caixas de ritmos. Hipnotizante. Oxalá que houvesse uma discoteca que passasse isto a noite toda. 

TAKA TAKA LA COBRA ACHECHINA – RAGA BHAIRAV

O convidado especial do próximo disco de JIBÓIA. 

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