O final do ano aproxima-se e as habituais listas de álbuns também. Primeira questão: valerá a pena continuar a ordenar um formato cada vez menos consumido? Para uma geração habituada a ouvir as canções compactas como um filme e não em excertos ou teasers, talvez mas são cada vez menos caucionados ao LP.
Segunda questão: continuará a fazer sentido encontrar um consenso colectivo quando o consumo de música é cada vez mais individualizado e livre de filtros? O caso de Arca é exemplar. Não escreve canções, não produz impacto imediato e o seu nome só circula entre os poros dos sistemas mediáticos. Descoberto por Kanye West que o convidou a pertencer à equipa de produtores de Yeezus, é um dos cúmplices de FKA Twigs e está envolvido na feitura do novo álbum de Bjork.
Xen, peça inaugural editado este mês, é um exercício plástico inclassificável e fascinante que faz da forma conteúdo. São ossos recolhidos de vários corpos e destroços reaproveitados de sistemas digitais usados para construir uma via láctea imaginária dentro da Internet. O caos e o ruído incluídos na elipse do belo e indescritível. O vídeo de Jesse Kanda para a produção titular do disco sintetiza a irrealidade criada num álbum fundado noutra galáxia mas cujas implicações descem à Terra e prometem alastrar nos próximos anos. Strobes, o corpo distorcido de Arca e uma bizarra exploração da nudez. Estranho mas verdade.
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(para ver a lista completa dos vídeos basta carregar em Lista de Reprodução)
