Álbuns da Semana 48.14

Ghostfacekillahcapa

GHOSTFACE KILLAH – 36 SEASONS

Ghostface Killah celebra o primeiro dia de Dezembro com o nascimento de gémeos. 36 Seasons é editado em simultâneo com A Better Tomorrow dos Wu-Tang Clan. Enquanto o álbum da banda histórica parte em busca da verdade, a solo o rapper veste a capa de um super-herói. “Um vigilante da Staten Island inspirado por uma questão de vingança pessoal e empenhado em salvar a comunidade das garras das autoridades e da decadência social”. A sinopse é dura mas a narrativa é generosa. 36 Seasons ganha a forma de thriller e Ghostface Killah é o narrador de um policial atento e punitivo para com o crime de moral e ética. Um álbum classicista mas actual nos temas. Ouvir

PRHYME – PRHYME

Um sonho dos fãs de rap hardcore tornado real por Royce Da 5´ 9´´ e DJ Premier. O rapper conhecido ao lado de Eminem junta-se a um dos produtores históricos do hip-hop com créditos não só nos Gang Starr mas também com um pouco com toda a velha escolha, incluindo três dos grandes (Nas, Jay-Z e Notorious B.I.G.). Os beats de Preemo costumavam legitimar os rappers underground mas em PRhyme o nível é o de quem nada tem a provar. Álbum resistente, sólido e harmonioso de parte a parte. Verbo claro para uma produção perfeita. Ouvir

JMSN – JMSN (THE BLUE ALBUM)

Após meses de provocações, finalmente o compacto longo. Justin Timberlake em versão fechado no quarto sem N’Sync nem Disney. R&B romântico e arrastado cantado por um branco de cabelo comprido em tom declarativo permanente. JMSN também é um cantautor baladeiro, só não tem uma viola no saco. Boas canções, produção certeira e a dose correcta de açúcar. O rosto já foi reconhecido, só falta o verso do bilhete de identidade. Ouvir

PARTYNEXTDOOR – PND

Uma questão de escalas. PARTYNEXTDOOR, o álbum, já não fazia jus à promessa do single Recognize apadrinhado por Drake e editado pela OVO. PND, o EP com Travi$ Scott, é ainda menos inspirado e não vale o download. R&B com filtro auto-tune formulado. Ouvir

SPANK ROCK – THE UPSIDE

Spank Rock foi dos primeiros rappers a abrir a pista hoje frequentada por Mikky Blanco e Zebra Katz. O combustível maximalista bebido no electro ateou fogo mas o incêndio nunca atingiu grandes dimensões e The Upside já é mais queimadura do que queimada ao abusar de lança-chamas EDM datados e estéreis. Assassin co-escrita com Amanda Blank é a excepção. A lista de convidados é generosa (Black Lips, Boys Noize) mas a festa é fátua. Ouvir

MURAMASA – SOUNDTRACK TO A DEATH

Não é ainda a imortalidade de Muramasa mas a produtor japonês tem o toque de Midas dos raros. Quando os instrumentais de hip-hop são afunilados numa cultura de beats modelar e formulada pela Wikipedia, há quem ainda imprima uma alma rara e individualizada ao que é todos os dias absorvido e domesticado pelos maiores sistemas. Não admira que Meia América ande atrás dele. Ouvir

DJ RIOT – THE ORIGINATOR

Rui Pité a armar um motim. Provavelmente, a primeira experiência zouk’n’bass de sempre. Ouvir

AFRIKAN SCIENCES – CIRCUITOUS

Mosaico de referências herméticas e heterogéneas sem maiorias absolutas. Um círculo em movimento que no zénite atinge a espacialidade Sun Ra e em órbita aterra nos mantras deep house. Circuitous é uma estação em contacto permanente com Londres, Nova Iorque, África e América Latina. Cabe um mundo inteiro num álbum extenso sem geografia definida. Ouvir

IVVVO – THEORIES OF ANXIETY

Theories of Anxiety não tem cheiro mas sabe a pipoca frita de vinil. Sete pedaços breves de techno em tensão de toca e foge com técnicas divergentes e abordagens diferenciadas do portuense radicado em Londres, Ivo Pacheco, que continua a dar cartas numa sub-cave a que os media quase nunca tocam à porta. No EP para a Danse Noire, afasta-se da neblina death of rave e propõe-se a escutar o caos e as tensões urbanas com uma identidade reconhecível. Ouvir

DJ RED – DUALITY EP

Sensualidade no escuro de um histórico residente do Goa Club em Roma. DJ Red maximiza as potencialidades do minimalismo e converte a prática de 15 anos em auto-conhecimento. Um EP escuro mas perfumado com chão sólido e rumores de IDM. Ouvir

BEN FROST – V A R I A N T 

V A R I A N T começa com um tiroteio no interior do laboratório industrial de Ben Frost. A suspeita levanta-se. Será um intruso? É mesmo. Cinco assaltantes desordenam composições do excelente Aurora, a começar pelas armas mortíferas de Evian Christ (um dos produtores de Kanye West) e a terminar na elipse labiríntica de Regis, orquestrados por um briefing em que é proposto cavar mais fundo o buraco de Frost. Ouvir

INNERSHADES – WHAT ABOUT US 12”

No house, o regresso aos mantas dos anos 90 não é uma paranóia ou um chavão. É uma realidade traduzida em ritmos 4/4 regulares e teclados brilhantes. O belga Innershades regressa aos dias em que esta música de dança habitava nas caves e propõe-se com êxito a criar um máxi que encaixasse com distinção nesse tempo. What About Us é pura nostalgia dourada. Ouvir

DRO CAREY – CLUB INJURY HANDBOOK EP

O australiano ligado à editora Greco Roman cose um tapete sintetizado de emoções e variações embarcadas no house e destinadas à vanguarda. É mais fácil senti-lo que descrevê-lo. Ouvir

ERIC COPELAND – MS PRETZEL EP

Eric Copeland põe o caos dos Black Dice a dançar e arma uma festa tribal abençoada pela história da música de dança underground nova-iorquina. Um caldeirão perigoso de disco, punk e no-wave sem restrições. Ouvir

WHEN I REACH THAT HEAVENLY SHORE: UNHEARTLY BLACK GOSPEL 1926-1936

A tradição oral afro-americana testemunhada numa colecção riquíssima de recolhas resgatadas ao arquivo do premiado engenheiro de som Christopher King. Essencial na compreensão do legado música negra de rua desde os blues até aos dias de hoje. 42 de canções de história em movimento que então encapsulavam dor, espiritualidade, libertação e sobretudo alegria de viver. A música era só o correio desses estados. Ouvir

FUZZ CLUB SPLIT SINGLE NO.5 

Segundo volume da colecção de singles partilhados da Fuzz Club Records. Primeiro, num leitor cor-de-laranja e a partir de dia 15 em vinil colorido. Black Angels e os italianos Sonic Jesus aceitam o desafio e destapam lados B soturnos e perigosos, remissivos para viagens nocturnas e prazeres culpados na floresta. Ouvir

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