Diariamente na rádio MEO Sudoeste, Nelson Clark Ferreira é uma fonte de música portuguesa. Notícias e entrevistas passam obrigatoriamente pela voz funda deste avense que se formou aos microfones da Rádio Universitária do Minho e veio para Lisboa a fim de habitar a morada profissional da Viriato 25.
O pão a quem o amassa todos os dias. O ano produtivo da selecção nacional pula do microfone para o teclado e o radialista transformar-se, por momentos, em escriba, desafiado a escolher os melhores álbuns do ano, aos quais junta uma colecção de canções autónomas do formato radiofónico. A emissão continua em 100.8 e 102.7 no Porto.
XINOBI – 1975
O disco que tornou a minha transição Verão-Outono muito mais suportável. Afirmação de um nome que já ameaçava há algum tempo ser uma referência na produção de sonoridades contemplativodançantes tugas. [iframe width=”100%” height=”166″ scrolling=”no” frameborder=”no” src=https://w.soundcloud.com/player/?url=https%3A//api.soundcloud.com/tracks/171917311&color=ff5500&auto_play=false&hide_related=false&show_comments=true&show_user=true&show_reposts=false&show_artwork=true “]
DEAD COMBO – A BUNCH OF MENINOS
Não sabem fazer discos maus, e fazem-no sem merdas, quase como uma coisa despojada (deve ser por isso que soa tão bem). Sonho em ver o Povo que cais descalço cantado por uma fadista muita velha e rouca. Se tiver que ser uma das novas que seja a Gisela. id=j-isYBLIC_0width=600height=350
BRUNO PERNADAS – HOW CAN WE BE JOYFUL IN A WORLD FULL OF KNOWLEDGE
Foi o disco que mais me deixou sem palavras. Por um lado porque é bonito que se farta. Por outro, porque nunca o consegui explicar às pessoas que ainda não o conheciam. Quase tão difícil de descrever como saboroso de ouvir. id=4kKMA-DWrg8width=600height=350
CAPICUA – SEREIA LOUCA
A maioria da música conquista-me nas palavras. E neste capitulo há poucas melhor que esta moça. A mulher do cacilheiro é dos melhores e mais brutos retratos que ouvi cantados em muito tempo sobre Lisboa. (castiço e orgulho em ter sido feito por uma portuense). id=Rpu_rYWPAw8width=600height=350
BANDA DO MAR – BANDA DO MAR
Parto do princípio que é português… e fico contente por sê-lo. Punhado de singelas mas boas canções. Ainda bem que nenhuma rádio reparou muito neste disco e o estragou com repetidas passagens na playlist… desta forma vou ouvi-lo ainda durante uns bons tempos. id=hkipwxty080width=600height=350
GUTA NAKI – PERTO COMO
As palavras… mais uma vez as palavras. Aquelas palavras ditas daquela maneira pela Cátia (O Homem Que Dança é disso o melhor exemplo), fazem dos Guta Naki o segredo mais bem e injustamente guardado da música portuguesa. id=N7MfA8Feuo4width=600height=350
B FACHADA – B FACHADA
O disco que me reconcilia com a música de Fachada. Das duas, três. Ou gosto mais destes beats e samples e não tanto das braguesa e afins. Ou ele escreve mesmo boas canções. Ou então foi da sabática. Gostei de como me fez lembrar Por este rio acima de Fausto, apesar de ter lido que Zeca foi a sua grande inspiração.
CLÃ – CORRENTE
Óptimas letras e letristas num disco que sofreu o síndrome da banda demasiado instituída. As pessoas podem cansar-se dos Clã… eu felizmente ainda não padeço desse mal. Zeitgeist, escrita por Samuel Úria, é das minhas canções favoritas deste ano. id=PbGtmnjSv-Uwidth=600height=350
SEQUIN – PENÉLOPE
Nada mau para estreia. Fresco como super pop limão. Best new act da pop nacional. Se ainda houvesse Passeio dos Alegres, Sequin não escaparia a Júlio Isidro. id=N4qdRldNYKYwidth=600height=350
Pequeno apontamento dos singles que quase me fizeram incluir os discos a que pertencem na lista de cima.
WHITE HAUS – THE WHITE HAUS ALBUM
Paper Bag é a minha canção de desamor favorita do ano.
STEREOSSAURO – BOMBAS EM BOMBOS
Por momentos pensei que fosse um guilty pleasure mas depois pensei: fuck it! Curto largo esta canção. Letra, beats, tudo! Desde a Cara de Chewbacca que uma música não me divertia tanto. id=oeS_cZhobE8width=600height=350
LOS WAVES – THIS IS LOS WAVES SO WHAT
A música que me faz querer ser o adolescente com mais estilo do liceu. Banda sonora perfeitas para flirts de verão em jipes descapotáveis na costa alentejana ou para um anúncio bem feito da Sumol. id=vUFTHof1GZ0width=600height=350
SENSIBLE SOCCERS – 8
Infelizmente temos ouvidos demasiado formatados pelo rádio friendly, que nos impõem músicas nunca maiores que 5 minutos. E eu sofro dessa “maleita profissional”. Uma das raras excepções do ano são estes 7 minutos e 31 segundos de cantiga. id=Q25Ol-86a_Qwidth=600height=350