Mesa de Mistura

Guest List: Magazino

Magazino é o primeiro repetente na Guest List da Mesa de Mistura por diversos motivos. Em ano de comemoração de vinte anos de carreira, escolhe dez discos clássicos e indispensáveis na mala desde 1995 em vésperas de encerrar a madrugada de sexta para sábado no NOS Alive.

O apogeu de um verão entre portagens, estações de serviço e hotéis que até finais de Agosto não irá de férias. Esse tem sido o desígnio de Luís Costa. Trabalhar para o bem espiritual dos outros sem perder de vista que além das dinâmicas sensoriais, a música de dança é uma forma de expressão artística como uma pintura, um graffiti ou uma instalação.

Nos anos 80, bandas como os Xutos & Pontapés descobriam o país através de auto-estradas recém-inauguradas. Nas últimas duas décadas, Magazino assistiu à transformação do circuito electrónico desde as raves secretas, a obscuridade dos clubes e a dificuldade em chegar à música até à legitimação e massificação do meio.

O reconhecimento crescente como um dos melhores DJs de house do país não obrigou a concessões e Magazino trata os discos como filhos, busca incessantemente a sedução num ritmo 4×4 e é um dos patriarcas da família bloop.

Estes são os fiéis amigos de há vinte anos:

JOVONN – SATISFIED (KULT RECORDS, 1995)

Este disco não o tenho desde 95 mas tem sido escolha habitual em algumas das minhas últimas sessões. House intemporal servido pelo americano old school Jovonn que tive oportunidade de ouvir o ano passado em Londres. Muito garage, quiçá demasiado mas divertido, sobretudo quando resolveu pegar no microfone.

COMPASS – STEAM (CABINET, 1995)

Tema híbrido, hipnótico q.b., dos poucos que raramente sai da mala. Compass é um projecto de 3 produtores encabeçado pelo Daniel Paul que também forma parte nos Cab Drivers, Horseshoe ou Poor Knight. É um dos lideres da Cabinet Records, editora que ao fim de tantos anos consegue manter-se actual.

STERAC – ASPHYX (100% PURE, 1995)

Ouvi este tema pela primeira vez no Climacz (antigo after hours no Jardim Constantino). Steve Rachmad continua em acção sempre com uma interessante mix entre Detroit e Amsterdão. Não toco os temas dele mas este é muito especial e há-de constar sempre nos meus preferidos. Na época em que o ecstasy era novidade este Asphyx era uma autêntica viagem ao paraíso.

ATOM – PLUS ONE (TRIBAL, 1994)

Dupla japonesa que editou alguns EPs entre 94 e 95 mas foi este que ficou para sempre, cheio, completo e um autêntico hino de pista.

PAPERCLIP PEOPLE – THE CLIMAX (OPEN, 1995)

Carl Craig é um génio atrás das máquinas, tem o toque de Midas, é incrível como este tema atravessa várias fases sem nunca perder a sua harmonia. Mencionei esta música como poderia ter também mencionado a Throw que é outra obra de arte. Esta considero-a mais intemporal.

ROMANTHONY – LET ME SHOW YOU LOVE (AZULY, 1994)

Paz à sua alma. “House will never die“. Tema obrigatório.

DREXCYA – BLACK SEA (WARP, 1995)

Conheci esta música pelas mãos do Laurent Garnier num dos seus longos e ecléticos sets. Techno de Detroit de um projecto já extinto por falecimento de um dos seus mentores. Tema para fim de noite.

R FACTORS – PONS (TOUCHÉ, 1995)

Dobre é holandês e dá o nome a R Factors como a muitos outros projectos. É o mentor da extinta Touché Records que foi uma grande referência para mim no final dos anos 90. Este Pons é mágico quando aplicado na altura certa.

C ROCK – FUNKY DOPE TRACK (URBAN FLOW, 1995)

Quando comprei o disco não lhe dei muita atenção mas toquei-o numa noite no extinto Clubissimo em Setúbal onde era residente e foi uma bomba. Passados muitos anos, numa matiné da bloop no Algarve voltei a tocar o tema e voltou a ser um tiro certeiro, não é tema que toque muito mas tem o condão de agitar as massas.

LFO VS. FUSE – LOOP (PLUS 8, 1995)

Mark Bell e Richie Hawtin juntaram-se para fazer um dos melhores temas de techno de todos os tempos. O Bell faleceu o ano passado e deixou um legado impressionante. Os LFO foram uma das bandas mais marcantes da sua era. O Richie tem a sua fulgurante carreira que fala por si.