Re-Definições: quarenta anos, vinte de canções de Carlão

Carlaonova

Os Quarenta titulados por Carlão no primeiro álbum em nome próprio assinado com a alcunha de adolescência já o são formalmente desde segunda-feira. Isto significa: parabéns Carlão!

“O mesmo puto de sempre, o mesmo parvo de sempre”está agora “um pouco mais experiente” e das quatro décadas de vida agora completas, duas pertencem ao imaginário colectivo das canções mais marcantes do Portugal musical desde os meados dos anos 90.

Recordamo-las em vinte capítulos unidos pelo comité central de Carlos Nobre Neves: a palavra. Doce, amarga, ácida, de conforto ou auto-destruição. Romântica, combativa, atenta e urgente. Poética por re-definição.

PACMAN (DA WEASEL)

GOD BLESS JOHNY (1994)

Rap rock? Hip-hop industrial? Anos 90 bem bebidos? A primeira estação da “doninha” ainda em inglês.

ADIVINHA QUEM VOLTOU (1995)

O primeiro grande golo. Instrumental funky inesquecível, rimas à flor da pele, ritmo, amor ou escárnio e poesia. A doninha a estoirar em 1995.

O MEU DEUS (1995)

O melhor álbum dos Da Weasel está cheio de letras inspiradas, intemporais e urgentes. Esta é uma delas, apesar de menos conhecida. “Padre desculpe, mas o meu deus não é o seu/O meu deus ilumina, não deixa os fieis no breu”.

APENAS UM IRMÃO (1994)

Quase esquecida mas fundamental para o reconhecimento entre pares. Um irmão a manter o tesão e um tio a manter o cio. Espanta Espíritos, Natal de 1995. Cio later Sérgio Godinho.

EDUCAÇÃO É LIBERDADE (1996)

Liberdade de expressão e de movimentos. Nem os Da Weasel nunca se fixaram num género nem Pacman alguma vez foi um “puro” – “nasci em Angola, tenho mãe cabo-verdiana/Sempre vivi em terra lusitana
/três culturas que não vou separar”.

PEDAÇO DE ARTE (1997)

Carlos Nobre à procura do lugar no mundo sabendo que não vai por aí. Uma canção escura escolhida para abrir o black album dos Da Weasel.

CASOS DE POLÍCIA (1997)

Histórias de abusos de poder da autoridade, infelizmente actuais. Pura malícia institucional relatada com a mestria de contador de histórias de Pacman. O instrumental G-funk Costa Oeste ganhou com o tempo.

NORTESUL (1997)

A tríade completa. Mind Da Gap, Pacman e Virgul despidos de camisola em plena efervescência Norte-Sul amplificada pelo futebol. “Em que equipa é que jogas? De que lado é que estás?/Norte, Sul, Este, Oeste, Portugal, tanto faz”. Tão simples e inteligente.

AGORA E PARA SEMPRE (A PAIXÃO) (1999)

Inquieto, angustiado, observador e romântico. 3º Capítulo era escuro como bréu; Iniciação a Uma Vida Banal (O Manual) optimista e terno. Quase sempre…

O REMORSO (O QUE É QUE SE HÁ-DE FAZER) (1999)

Amor é poesia, sexo pode ser agonia. O retrato asfixiado de uma visita ao médico para saber os resultados do teste da SIDA. Diagnóstico: negativo. “Quase que ejaculo quando vejo a folha imaculada/tenho que festejar, hoje à noite é a doer/não comprei camisas – O que é que se há-de fazer?”

O QUE QUISERES (TÁ TUDO BEM) (2001)

A letra e a música. Instrumental nu-soul na hora certa digno de Voodoo (D’Angelo), Erykah Badu e Common. Banda madura, escrita crescida, som hi-fi. Carinho e afecto tão bom.

FORÇA (UMA PÁGINA DE HISTÓRIA) (2004)

Um pedaço do álbum da glória dos Da Weasel. Um grito mudo para dias em que ninguém se importa. Letra densa e música psicótica como as de 3º Capítulo.

CASA (VEM FAZER DE CONTA) (2004)

Pacman, Manel Cruz e João Gomes no piano. A casa vem baixo. A doninha a passar para outro nível do imaginário colectivo.

MUNDOS MUDOS (2007)

A dramaturgia que uma secção de cordas não permite. O pretérito perfeito de uma banda que acabou por cima.

A PALAVRA (2007)

Dos finados. Da Weasel e Bernardo Sassetti. A palavra, o gatilho sempre à mão de Carlos Nobre.

ALGODÃO 

DIZ-ME QUE NÃO SOU ASSIM (2011)

Chico Buarque, spoken word e a filha Alice. Quem diria?

HÁ SEMPRE UM MAS (2011)

Uma outra vida em que Deus talvez exista. Mas, mas, mas…

5-30

ABUSO (2014)

5 da manhã, cerveja, Martini e cabeça tonta. Bem-vindos a este mundo onde a manhã vira noite num segundo.

CARLÃO

OS TAIS (2015)

A afro-lisboa grudada numa canção sobre a ternura dos quarenta que assaltou as rádios. O espelho de uma carreira sem anéis de compromisso, passada entre mundos, sons e vivências pessoais.

OUTRA CASA, OUTRA COISA (2015)

Podia estar em 808s & Heartbreaks de Kanye West mas é Carlão em 2015 a encontrar a canção ambicionada desde o Algodão. Cantada com o Auto-Tune, atmosférica e electrónica mas positiva.

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