Pré-Escuta #3

Squareffektbison

Faz uma década no final de 2005 que Lisboa agitava a bandeira de um novo som contra o marasmo instituído na cidade. Estávamos ainda a dois anos da reconciliação com a música popular portuguesa e os Buraka Som Sistema legitimavam o que até aí era desacreditado: o kuduro.

O tempo diluiu a prematuridade da tese e, aqui chegados, a tinta corre por todos os meios, há noites mensais a rebentar com o termómetro da cidade, produtores celebrados localmente e no exterior e sobretudo uma música feita na rua disparada para o mundo.

As peças todas juntam formam um viveiro que impõe a questão: será esta música que corre nas artérias da cidade ainda africana? A esta pergunta, a dupla Bison e Squareffekt tem uma resposta muito curiosa. O segundo volume de Odyssey of the Mind Part 2 inspira-se no clássico Blade Runner para expandir o campo magnético do tarraxo ao trazer o espacial e esotérico para o terreno. A isto chama-se avenida da liberdade.

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A música portuguesa que vai acontecer em 2015

Samthekiddiggin

2014 foi um bom em número e grau mas uma forma de prática de ver que talvez não tenha sido um ano histórico é o cenário despido para 2015. Há doze meses, já se avistava no horizonte a Sereia Louca de Capicua, a estreia dos D’Alva, a confirmação dos Capitão Fausto, a maturidade dos You Can’t Win Charlie Brown, a revelação de um segredo chamado Sensible Soccers e a modernização do hip-hop português sugerida por MGDRV e Mike El Nite, concretizada em grande estilo pelos 5-30. Os Buraka Som Sistema partiam na pole position e os Paus bem posicionados mas 2014 determinou o fim do estado de graça de ambos por razões diferentes. Até o rosto mais belo pode ter a sua verruga. Um mundo sem nuvens não se deitaria ao sol.

Se em Janeiro do ano passado, a futura colecção já tinha pés (de sereia) para andar a deste ano ainda é um modelo semi-nu a aguardar por roupas quentes para aquecer o coração. Ou então não, celebrar a geografia solar e mostrar como a cultura pode responder aos problemas sociais e a um ano previsível de turbulência política com um par de eleições e o caso Sócrates por resolver expondo um país centrado em Lisboa e no Porto cosmopolita marginal à política e aos políticos mas sensível à importância crescente das cidades no mapa-mundo e aos fluxos culturais e migratórios de quem parte, vem ou volta.

Parte de 2015 vai acontecer assim. Um quadro a completar ao longo dos próximos meses.

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Os vinte álbuns nacionais do ano

mosaico

A pergunta é incontornável: valerá a pena continuar a elencar álbuns quando a tirania do single só deixa a ouvir a parte e não o todo? No ano de 2014 no país de Portugal, a resposta é clara. Sim! Nunca houve tanta boa música em quantidade e público disponível para ouvir e apropriar-se. A chave da questão está no compromisso. O É Português? Não Gosto da Stealing Orchestra foi abolido e a disponibilidade do público é simétrica à vontade de criar.

Três festivais exclusivos de música portuguesa – dois deles com casa cheia (Sol da Caparica e Bons Sons) -, salas lotadas nos grandes centros, a aposta crescente dos programadores, fervor nas redes sociais e sobretudo vontade de pertencer a uma geração que apesar da diversidade, faz da música portuguesa um regime de excepção num país em convalescença de uma grave crise político-financeira e uma das melhores da Europa.

Há bandas a nascer como cogumelos, músicos que todos os dias abrem a porta do quarto e soltam o disco externo para o mundo e um desejo de pertencer num quadro diferente daquele que é pintado sobre os anos 80. Facilidade de criação e abertura na comunicação são ferramentas essenciais para chegar a um mosaico heterogéneo e formado por múltiplos nichos, reflexivos da cultura fragmentada do Séc. XXI.

O título de álbum favorito do ano já fora entregue a Capicua. É chegada a hora de conhecer a lista completa dos vinte magníficos. Um ano para reter na memória.

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O onze da selecção nacional

Capicua2014

Os jornais e as televisão já estão cheios de inquéritos públicos ao onze da selecção nacional para o Mundial do Brasil ou aos 23 convocados que Paulo Bento vai levar na caravela de Pedro Álvares Cabral. Quaresma fará bom balneário? Adrien Silva ou Ruben Amorim? E quem deve ser o terceiro guarda-redes? A Mesa de Mistura tem a resposta sem precisar de cruzar o Atlântico. Sem posição definida no campo, Capicua, 5-30, MGDRV, Dead Combo, Legendary Tigerman, Capitão Fausto, You Can’t Win Charlie Brown, Bruno Pernadas, Gonçalo, Sensible Soccers e a dupla Bison & Squareffekt.

Cumpridos os três primeiros meses de calendário, é justo reconhecer que 2014 está a ser um ano muito mais produtivo que o anterior. O hip-hop actualizou-se com os 5-30 e MGDRV e ganhou em Capicua uma nova figura de impor respeito; Dead Combo e Legendary Tigerman mantiveram-se na trajectória singular; You Can’t Win Charlie Brown e Sensible Soccers confirmaram créditos, os Capitão Fausto gravaram um dos melhores álbuns rock cantados em portugueses dos últimos anos; Bruno Pernadas e Gonçalo surpreenderam. Bison & Squareffekt são o planeta distante desta constelação sem estrelas mas generosa de canções sinceras. E ainda faltam Buraka Som Sistema, Halloween, Mão Morta, Throes + The Shine…e D’Alva.

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Guest List: Squareffekt & Bison

Squareffektbison

São tempos excitantes estes os da música de dança global vista de Lisboa com as noites da Príncipe a projectarem produtores como DJ Marfox e Nigga Fox, Bison & Squareffekt a embarcarem numa odisseia exploratória do tarraxo e os Buraka Som Sistema a funcionarem como banda tutelar e visionária de cenas nascentes.

A mais recente o Zouk Bass de onde partiu o entusiasmo de Squareffekt e Bison pelo tarraxo. A semente cresceu depressa e o fabuloso EP Odyssey of the Mind envolve o ritmo tropical angolano em referências inesperadas como o R&B digital, o Miami Bass e a cinematografia sonora de Blade Runner.

Esta sexta-feira, Branko apresenta o novo single Control com Yadi e Bert On The Beats no piso de cima do Lux e a dupla afro-europeia responsável por um dos ovnis do Portugal musical de 2014 estreia-se à frente dos pratos. A não perder.

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Álbuns da Semana 6.14

Planningtorock

Não é de hoje a menor apetência dos consumidores de música pelo álbum. Mas só agora se nota um desinvestimento crescente no formato. Mais EPs, vídeos e menos LPs à antiga. Se antes ninguém os comprava, a indústria corporativa e os artistas chegaram à conclusão que provavelmente já quase ninguém os ouve. Até quando são muito bons.

As edições de maior peso só começam na próxima semana – Beck, St. Vincent – mas nada que estimule grandemente o mercado editorial. E tudo isto para dizer que não foi fácil escolher um destaque para esta semana e que a escolha levou em conta o processo e não tanto a obra. Quem se tenha fascinado com a transfiguração política dos The Knife, não ficará surpreendido com Janine Rostron (Planningtorock) mas o depoimento tem tanto suco político que merece uma reflexão. Mais do que um álbum, um depoimento.

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