Cabeças de cartaz: os 25 concertos imperdíveis dos festivais de verão

Jamesblakelive

Um baralho azul e roxo como se fosse do Barça. O verso emprestado por Regula de Cabeças de Cartaz peca por excesso. Se olharmos ao alinhamento dos festivais de verão, falta confiança no risco. Muitos tiros seguros, regressos, reuniões, emblemas nostálgicos e pouca dose de amanhã mas a responsabilidade não é exclusiva dos promotores.

Quem foram as grandes revelações pós-classe de 2013 (Disclosure, Savages, FKA Twigs e Jungle)? Aí reside parte da resposta e com o hip hop e o r&b ainda olhados com suspeição (Chance The Rapper é a excepção), o que se assiste são os mesmos nomes a rodar vários festivais. Por exemplo, os Tame Impala que em três anos fazem o pleno do NOS Alive, Super Bock Super Rock e Paredes de Coura.

Com a proliferação (e desgaste) do modelo de festival, há uma tentativa de cada um marcar o seu território. O Alive como um Rock In Rio de centro-esquerda, o Super Bock Super Rock emagrecido pelo mercado e mais convidativo à música de portuguesa, o EDP Cool Jazz cheio de tiros certeiros e não apenas jazzísticos, Paredes de Coura com o cartaz mais coerente e um Lisb/On que se propõe a suprir a ausência de um festival de música electrónica. Apesar de tudo, há motivos para sair de casa e gastar o subsídio de férias.

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Conta-me como foi há dez anos (antes do YouTube)

Franzferdinand2004

Poucas reedições sopram dez velas de vida porque a música é um alimento para alma para ser sorvido com calma e uma dezena de anos é uma digestão demasiado lenta que pode provocar congestão. Em 2004, a televisão estava cheia de anúncios da Alka Seltzer e ainda era o canal onde os vídeos eram consumidos. Dito de outra forma, ainda havia telediscos. O YouTube só seria fundado em Fevereiro de 2005 e a Internet ainda se encontrava na pré-história. O MySpace estava para nascer e o Hi5 era a única rede social. Não se socializava, só se engatava. O mais parecido com o Instagram era o Fotoloblog e os internautas confessionais expressavam-se no Live Journal. Alguém se lembra?

O mundo mudou muito nos últimos dez anos e é irónico perceber que de 1994 para 2004 passaram dez anos mas de então até hoje, parece um século. Excluindo o iPod – o primeiro motor de mudança na forma como a música é consumida – todas as grandes transformações vieram depois. Mas alguns dos nomes mais transformadores dos últimos anos estavam então a começar a mudar o mundo. Os Animal Collective começavam a ser notados, os LCD Soundsystem emergiam, Kanye West editava o primeiro álbum e M.I.A. estava para acontecer.

Em 2004, a cultura pop ainda celebrava o novo passado com bandas como Franz Ferdinand mas já ensaiava um futuro em shuffle que tanto abrigava os Arcade Fire como os The Streets. Para cá de Olivença, os Da Weasel eram o fenómeno do ano, os Dead Combo abriam as comportas lisboetas ao mundo e os Humanos davam a António Variações e ao povo o melhor presente que a pop podia oferecer.

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Álbuns da Semana #17

Franzferdinand2004

Na televisão já há campanhas de regresso às aulas. Vendem-se dossiers, cadernos, lápis e livros. O negócio sai caro às famílias e é o ganha-pão das editoras. Duas questões: porque é que os livros não são propriedade da escola e transitam de ano para ano como em França? E já agora, em que estado está o ensino musical? Porque é que há leituras obrigatórias e não há uma discografia seleccionada para ser ouvida a partir do 5º ano.

Afinal são três perguntas e não duas. Muitas outras haveria para colocar mas felizmente a música é um território livre e independente que não compactua facilmente com a ideia de obrigação. Talvez por isso se ouça tanta música boa no pico das temperaturas. A rentrée começou oficialmente e entre os primeiros a cortar a fita há nomes como Franz Ferdinand, King Krule, Earl Sweatshirt, No Age, Belle & Sebastian, Bob Dylan, Sly Stone, Forest Swords e Shigeto. Por aqui só vem bem ao mundo.

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Franz Ferdinand – ‘Right Thoughts, Right Words, Right Action’ (primeiras impressões)

Franzferdinandcapa

Foi há dez anos que os Franz Ferdinand começaram a surgir nas bolsas de apostas e há nove que um estrondoso primeiro álbum com seis singles saiu. A cada banda desse tempo, correspondia uma outra com menos vinte anos. Aos Strokes os Television, aos Interpol os Chameleons (apesar da voz à Ian Curtis de Paul Banks), aos Black Rebel Motorcycle Club os Jesus & Mary Chain, aos The Hives os Ramones, aos Killers os Duran Duran (e os New Order), aos Bloc Party os Gang of Four e aos Editors os Joy Division. Excepções só os Queens of the Stone Age que vinham dos anos 90 e os White Stripes que sentavam o demónio de Robert Johnson na cadeira eléctrica.

Se Is This It? (2001) foi o álbum de guitarras mais influente da década, o melhor foi o primeiro dos Franz Ferdinand. Documento imparável de canções refrescantes e viciantes, juntava a electricidade do rock a uma sensibilidade clássica quase Beatlesca na busca por refrões inesquecíveis. Take Me Out, This FireDarts of PleasureMichael Come On Home ainda hoje são guilhotina para pistas que preferem o eixo guitarra-bateria-baixo a sintetizadores, emuladoressoftware diverso.

Para os “arquiduques”, complicado não foi o segundo álbum, um lado B sem o mesmo grau de viciação mas parecido com o irmão mais velho; o pior foi a folha em branco com que se depararam no pós-2005 quando esse período fértil na renovação de um dos mais importantes momentos da história da música do Séc. XX se alterou.

Alex Kapranos confessou este fim-de-semana a perda de entusiasmo e a vontade de acabar com uma aventura bem sucedida após experiências sem grande visibilidade como os Karelia. Isto foi há dois anos entre o pouco conseguido e indeciso Tonight: Franz Ferdinand em que procuravam absorver referências electrónicas e andamentos dançáveis. O compromisso dançável com as guitarras que os Django Django encontraram à primeira tentativa.

A resposta é um quarto álbum que bem podia ser o terceiro e é melhor que o segundo. Em Right Thoughts, Right Words, Right Action, os Franz Ferdinand regressam ao trilho de onde se tinham afastado em direcção ao disco rockRiffs angulares inesquecíveis como os de Right ActionLove Illumination, refrões grandiosos como o de Bullet, pop embebida em pós-punk e até um Strawberry Fields Forever como é Fresh Strawberries.

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Duas canções para tornar fácil o quarto álbum dos Franz Ferdinand

Franzferdinandcapa

Desta vez, tem que dar certo. Dos pensamentos às palavras e daí aos actos está no devido lugar. Pelo menos, é isso que o duplo single revelado pelos arquiduques do rock nos diz.

A estratégia de começar com duas canções não é nova e foi usada, por exemplo, pelos Vampire Weekend que na antecâmara de Modern Vampires of the City começaram com a dupla Diane YoungStep. A primeira mais rápida e condizente com o passado;  a segunda mais clássica e lenta a adivinhar novos caminhos.

No caso dos Franz Ferdinand, é muito mais o que une Right Action e Love Illumination do que aquilo que as separa mas o que é bom de saber é que desde o irresistível Do You Wanna (2005) que não gravavam nada tão empolgante.

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Do meu computador vê-se Coachella

Coachella

Pode um festival ser visto a partir de um ecrã? É tentador dizer que sim. Com a expansão de suportes de streaming e com a transmissão integral de Coachella através do canal próprio de YouTube, o festival pareceu muito mais próximo do que as milhares de milhas aéreas e marítimas indicam.

Ver não é viver e do slogan do Sudoeste apenas a primeira parte pode ser exercida através da Internet, o que significa que não há calções de ganga, cachorros, óculos escuros ou cerveja para os mais sedentos. O que se perde em dispersão, ganha-se em foco e a convenção errada de que os festivais são apenas e só os concertos não tem outro remédio senão ser cumprida.

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O que é que aconteceu ao meu rock’n’roll?

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O mote foi lançado por Karen O em entrevista à Pitchfork a 14 de Janeiro, ontem recuperada pelo site: “fazer dez anos marcou o fim de uma etapa e isso tem consequências psicológicas”. Há quem defenda que se trata de uma barreira psicológica mas talvez a pop idade tecnológica seja mais curta. Ainda é cedo para balanços mas em 2013, uma década de vida é entrar numa meia-idade em que se é novo demais para o Hall of Fame e velho demais para se ser revelação.

A vocalista da banda que ontem anunciou os detalhes do novo Mosquito – álbum cujo teaser promete mas que se arrisca a ficar famoso pela capa série-Z – aludia ao décimo aniversário sobre o nascimento dos YYY.

Filhos da renovação rockeira de virar de milénio permitida pelo revivalismo pós-punk de vinte anos antes e pela reacção ao poderio electrónico e à massificação do hip-hop, os Yeah Yeah Yeahs vieram da mesma casta nova-iorquina que viu os Strokes assinar em Is This It? um dos mais importantes documentos da época e um guia para toda a década.

Nos livros, a banda de Casablancas e os White Stripes foram responsáveis por uma nova vaga de bandas rockeiras que, pelo caminho, apanhou os mais antigos Queens of The Stone Age ou The Hives, parentes da mesma família sanguínea apesar do peso sonoro acrescido. A partir daí, foi vê-los chegar: Black Rebel Motorcycle Club, Interpol, Yeah Yeah Yeahs, The Libertines, Bloc Party, The Killers ou Franz Ferdinand. Talvez os Arctic Monkeys tenham sido o derradeiro suspiro deste “movimento”. E quem se lembra de uns tais de Black Keys que andavam a tocar em bares e agora têm arenas e estádios cheios à sua frente?

Era uma época de conquista para as novas bandas de rock que num dia estavam na garagem e no outro na MTV. Hoje, os festivais continuam a repescar alguns destes nomes para liderar cartazes, por isso é tempo de deitar um olho ao retrovisor e o conta-quilómetros para perceber onde estão estas bandas. Doze nomes para doze anos de separação.

Thestrokes

1. The Strokes

Talvez Is This It tenha sido o álbum mais influente da década pelo legado inspirador (em Portugal, os Pontos Negros são um bom exemplo). O NME, por exemplo, deu-lhe esse voto quando se virou a página sobre os anos 00. Muito inspirados pelos posteriormente regressados Television, também eles nova-iorquinos devotos, os Strokes viveram o mito da cidade a partir do rock. Envelheceram mal com um segundo álbum pobre, um terceiro melhor e um quarto que nem devia ter existido. Pelo meio, drogas, fricções e uma banda deslaçada quase sempre tímida em palco. É o mito que sustenta a imagem apesar de tudo relativamente intacta para quem tão poucas páginas escreveu após a história. Envergonhados com Angles, já trabalhavam num sucessor ainda antes deste sair. Será desta?

Whitestripes

2. White Stripes

Os Strokes podem ter o álbum fotográfico de uma época mas o hino é dos White Stripes e não está naquele que é o seu melhor álbum – White Blood Cells, de 2001, um aliado portentoso de Is This It enquanto testemunho da reviravolta das bandas de guitarras. Quando Seven Nation Army começou a levantar estádios, já Jack e Meg White tinham construído um enredo familiar à sua volta sem que o “líder” alguma vez descurasse a dedicação às canções. Acabaram em 2011 em pleno hiato e depois de um disco fraquinho – Icky Thump – com riffs à Black Sabbath mas em mau. Souberam preservar-se, contudo, e o percurso de Jack White está aí para o provar, quer a solo, quer no primeiro Raconteurs. Quanto a Meg White, alegadamente pouco dedicada à banda, não mais se lhe ouviram as baquetas.

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3. Queens of the Stone Age

O que faz os Queens of The Stone Age chegar a 2013 com toda a gente à espera de um novo álbum não é certamente Era Vulgaris, um aluno demasiado bem comportamento numa turma discográfica de tumultos rock e pedradas. Os reis do deserto tiveram no período entre 2000 e 2005 uma etapa fulgurante com Songs For The Deaf (2002) a assumir-se como a pedra preciosa de uma discografia há seis anos em silêncio e que este ano deixará de hibernar. Talvez o culto que despertem se deva à proximidade com os anos 90; antes dos Queens havia os Kyuss e a combinação entre melodia e peso vem de trás; não é de 2001. Com ou sem nostalgia, estão vivos e saúdam-se.

Blackrebelmotorcycleclub2002

4. Black Rebel Motorcycle Club

A história ainda não se encarregou de fazer justiça aos Black Rebel Motorcycle Club. Uma reedição do álbum de estreia faria sentido para se recordar o quão apaixonantes eram canções como Red Eyes and TearsLove BurnsSpread Your LoveAwake. E, claro, Whatever Happened To My Rock’n’Roll continua a ser um hino, mais actual agora por todas as questões colocadas ao rock. Pode argumentar-se que não se trata de uma discussão nova e é verdade mas nunca o acesso à tecnologia foi tão fácil. Essa mudança de paradigma está a alterar os padrões de composição mas nada disso importuna uns BRMC que estão de volta com Spectre At The Feast (ed. 18 de Março), gravado em parte no Rancho de la Luna dos Queens of The Stone Age, e inspirado por Pink Floyd e Spiritualized. Tony Visconti há-de ficar orgulhoso.

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5. The Hives

Em 2001, os The Hives chegavam com um Veni, Vidi, Vicious mas a vitória tinha antecedentes, não só porque o álbum já tinha um ano mas também porque os suecos eram uma versão polida dos conterrâneos (The) International Noise Conspiracy e arty dos parentes locais No Fun At All. Na relação com o garage rock, os White Stripes estavam próximos apesar da distância geográfica e o contexto aliado a refrões de arena como Hate To Say I Told You So permitiram prolongar a contribuição da Suécia para a pop. A partir daí, continuaram a fazer o mesmo álbum mas com canções diferentes; quando quiseram mudar em The Black and White Album (em que entra Pharrell Williams, por exemplo) foram mal interpretados.

Interpol2002

6. Interpol

Da vaga de bandas aparecidas entre 2001 e 2003, os Interpol são uma das que pior envelheceu e a primeira a assumir a nostalgia enquanto tábua de salvação com a reedição de Turn On The Bright Lights, álbum que apesar de canções como PDA, Obstacle 2 ou a lindíssima Untitled que abre o alinhamento, cheira mais a mofo que a fresco. O problema destes nova-iorquinos com costelas inglesas sempre foi a identidade: ao longo dos anos, nunca se libertaram do complexo Joy Division e da colagem aos Chameleons. O mais recente álbum, homónimo, foi votado à indiferença e Paul Banks já tem dois rebentos em nome próprio sem que a inatacável competência vocal sirva para mais do que lembrar a entoação de Ian Curtis.

Blackkeys2002

7. Black Keys

Quem eram os Black Keys em 2002? Zés-ninguém. Quem são os Black Keys em 2013? A banda que esgota arenas, enche estádios, vende milhões e está nomeada para seis Grammys na companhia de Frank Ocean. Os Black Keys só começaram a ser falados a partir de 2004 quando gravaram Rubber Factory. Mas não se pense em digressões lucrativas: Dan Auerbach e Patrick Carney perdiam dinheiro em digressões europeias e gravavam para uma independente, a Fat Possum. Só quando se mudaram para a Nonesuch, ganharam visibilidade global ainda que num circuito restrito. Mais importante que tudo isso: as raízes blues garageiras já estavam presentes nas primeiras edições e os Black Keys escreveram a sua história de trás para a frente e à antiga como as suas canções. Com bons proveitos.

Thelibertines

8. The Libertines

Talvez nunca se venha a perceber se Pete Doherty é um génio compreendido. Que é genuíno, é, e quando os Libertines deram que falar, em 2002, já as drogas cantavam alto quanto as canções e o (mau) génio destruía a noção de grupo, sobretudo devido aos conflitos com Carl Barat. Os Libertines representavam a facção britânica de uma vaga sobretudo nova-iorquina e vestiam a camisola da selecção local com os The Vines ou os The Music, por exemplo. O primeiro álbum vivia mais da altura do bife do que propriamente da carne e, onze anos depois, resiste com dificuldade ao tempo o que não anula a importância da banda de Doherty e Barat. O sucessor Up The Bracket (produção Mick Jones) era melhor mas o fim era inevitável.

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9. Yeah Yeah Yeahs

Ainda pelas garagens nova-iorquinas, os Yeah Yeah Yeahs tinham algo de que apenas os White Stripes se podiam gabar: uma mulher cuja soberania sobre o microfone assegurava a ligação directa aos Blondie. Depois de abrirem concertos de Girls Against Boys na Europa e Jon Spencer Blues Explosion nos EUA, gravaram Fever To Tell, o álbum de estreia ideal para quem viria a gritar activamente até 2010, ano em que terminou a digressão de It’s Blitz. Estão de volta com Mosquito e uma noção exacta de tempo. Será o pragmatismo suficiente para alimentar a utopia de uma canção? 

Franzferdinand2004

10. Franz Ferdinand

O álbum de estreia dos Franz Ferdinand é perfeito e só o atraso face a Is This It faz com que, por vezes, seja esquecido ou menos recordado. De onze canções tiram-se sete singles, o que faz desta uma colecção ímpar e justa para quem como Alex Kapranos agitava a cena local de Glasgow sem nunca ter encontrado um lugar ao sol. Um objectivo cumprido depois dos 30 e sempre com alguma distância para as passerelles que, por exemplo, os Strokes gostavam de pisar. Um ano depois, surgia o irmão mais novo de Franz Ferdinand mas o problema foi mesmo um terceiro álbum de indecisão. E não mais voltaram a gravar, tal o medo de desiludirem a camada arty que nunca os desprendeu.

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11. The Killers

Quando o refrão de Somebody Told Me invadiu o éter, ainda não se suspeitava que os Killers eram uma reacção a uma cena indie emergente e umbiguista. O inicial Hot Fuss foi mais importante do que bom e, à distância de nove anos, vale pelo poder de singles aglutinadores como o citado, Mr. Brightside ou Jenny Was a Friend of Mine. O resto é argamassa para colar um álbum que foi aceite pelas comparações com bandas incontestáveis como os New Order ou os Depeche Mode. Porque, de resto, os Killers nunca foram brilhantes apesar da piada que têm por assumirem uma divergência grandiosa com um tempo de economia aspiracional na cena indie. 

Blocparty

12. Bloc Party

Os Bloc Party foram filhos tardios desta geração e talvez estejam mais próximos dos Arctic Monkeys do que dos Strokes. Silent Alarm, de 2005, é uma espécie de fronteira entre a primeira e a segunda metade da década mas a frescura com que olharam o pós-punk de bandas como os Gang of Four (também uma das grandes inspirações dos Franz Ferdinand) merece que sejam introduzidos nesta lista que revivia uma época que poucos conheceram sem ser através da televisão e VHS (o YouTube estava prestes a ser introduzido nas nossas vidas). Pena que seja o único álbum decente dos Bloc Party – a haver um pior de 2012 ele é Four. Depois do folclore sobre a saída ou não de Kele Okereke, o fim parece inevitável.

Aceitam-se reclamações de Kaiser Chiefs, The Music, The Vines, The Kills, The Hells, Radio 4, The Von Bondies, The Dirtbombs, Electric Six, Kings of Leon, Editors, The Kooks, The Datsuns, The D4 e, vá, The Rapture