NOS Alive: o roteiro Mesa de Mistura

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Rui Leal

Já foi mais difícil desenhar o roteiro NOS Alive. Anos houve em que o festival era uma gincana inconciliável com ver concertos de uma ponta à outra. Ou um acampamento no chamado “palco secundário”. Uma rendição perante cabeças de cartaz (Depeche Mode, Radiohead, Rage Against The Machine) ou a partilha de segredos indiscretos (Disclosure, Jessie Ware, Jungle, Chet Faker).

Em 2015,  não se sofre por antecipação. O factor surpresa não é esperado e é necessário esperar que os cabeças de cartaz terminem para que o palco NOS mereça a devida atenção. Sábado a partir das 23h00 com um Chet Faker em estado de graça acabado de sair de dois coliseus onde não cabia nem mais uma gota de suor e uns Disclosure em exercícios de aquecimento para o segundo álbum Caracal, do qual irão estrear quatro ou cinco canções. Entre elas estão o single Holding On. É possível que face ao alinhamento, Sam Smith se junte em Latch. 

Pelo meio, Jessie Ware, Metronomy, Django Django, Roísin Murphy, Azealia Banks e especialmente James Blake aquecem o coração e dão descanso ao corpo. É que perante um roteiro tão económico, não vai ser necessário fazer piscinas nem transpirar a camisola.

NOS Alive: Um festival para inglês vir

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Cabeças de cartaz: os 25 concertos imperdíveis dos festivais de verão

Jamesblakelive

Um baralho azul e roxo como se fosse do Barça. O verso emprestado por Regula de Cabeças de Cartaz peca por excesso. Se olharmos ao alinhamento dos festivais de verão, falta confiança no risco. Muitos tiros seguros, regressos, reuniões, emblemas nostálgicos e pouca dose de amanhã mas a responsabilidade não é exclusiva dos promotores.

Quem foram as grandes revelações pós-classe de 2013 (Disclosure, Savages, FKA Twigs e Jungle)? Aí reside parte da resposta e com o hip hop e o r&b ainda olhados com suspeição (Chance The Rapper é a excepção), o que se assiste são os mesmos nomes a rodar vários festivais. Por exemplo, os Tame Impala que em três anos fazem o pleno do NOS Alive, Super Bock Super Rock e Paredes de Coura.

Com a proliferação (e desgaste) do modelo de festival, há uma tentativa de cada um marcar o seu território. O Alive como um Rock In Rio de centro-esquerda, o Super Bock Super Rock emagrecido pelo mercado e mais convidativo à música de portuguesa, o EDP Cool Jazz cheio de tiros certeiros e não apenas jazzísticos, Paredes de Coura com o cartaz mais coerente e um Lisb/On que se propõe a suprir a ausência de um festival de música electrónica. Apesar de tudo, há motivos para sair de casa e gastar o subsídio de férias.

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Pelos caminhos de Portugal – um mapa (ainda incompleto) de concertos para 2015

Pattismith

É o que o título diz. O cardápio de concertos de 2015 ainda é um modelo quase desnudo. Anos houve em que os cartazes dos festivais chegavam ao Natal já constituídos para acelerar as pré-vendas. Este biénio nem isso. O NOS Primavera Sound tem Patti Smith e os Ride. O NOS Alive vai ter que se esforçar mais porque quem de dez tira três sai com as mãos a abanar e o Super Bock Super Rock juntou Kindness e Little Dragon a Florence + The Machine. Para já, o menu tem um prato principal e duas boas tapas mas a degustação ainda pede outros sabores. O Bons Sons interrompeu o ritmo bienal e é provável que novos festivais venham a ser anunciados. Oxalá não sequem tudo à volta como o eucalipto na busca por fogos mediáticos.

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Vídeos da Semana 48.14

Jessiewarecapa

Há gente que se mata por descontos na Black Friday. Pessoas que dormem à espera do novo iPad. Geeks que tiram dias de férias para ser os primeiros a comprar a nova Playstation. E quem diz a consola, diz jogos. Como o PES 2015. Ou o FIFA 15. A Jessie Ware basta o amor e a amizade.

You & I (Forever) é uma elegia à simplicidade, construída a partir de uma montagem de imagens a preto e branco e com o grão de amigos da cantora, incluindo a neo-estrela r&b Miguel, um dos convidados de Tough Love e o marido Sam Burrows com quem casou em Outubro. A canção subscreve as intenções. Amor e uma cabine numa semana em que os Run The Jewels exclamaram Oh My Darling. 

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Remisturas da Semana 46.14

Jessiewareredbull

Pode uma parte ser maior que o todo? Em vésperas de casar e da edição do segundo álbum Tough Love, Jessie Ware submeteu-se a uma mão cheia de experiências no laboratório sonoro da Red Bull, submetendo a voz a cinco cientistas da electrónica. A combinação mais feliz vem de mulher para mulher. Já a ouviramos em arena dançável na remistura dos Disclosure para Runnin’ mas a produtora russa radicada em Berlim ousou trabalhar com ingredientes ácidos e o contraste com a doçura da cantora é mel para os ouvidos. O resultado completo pode ser ouvido a seguir:

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As digressões que não estão a passar por Portugal

Nickcave

Há não muitos anos, os promotores eram acusados de sobrecarregar a oferta. Na memória, estão noites em que havia Lou Reed no Campo pequeno e Leonard Cohen no outro lado da cidade em Algés. Ou Bon Iver no Coliseu dos Recreios e Morrissey que acabou por não vir a Cascais por alegada lesão do baixista. Pois bem, é chegada a hora de sublinhar que a overdose de concertos terminou e que o cenário para os próximos meses é de míngua. Reflexo da contracção da economia? Seguramente, mas também da canibalização do roteiro de concertos pelos festivais e da fragmentação ditada pela Internet.

Há um misto de tiros seguros e bolas para o pinhal entre o cardápio conhecido. As excepções verificam a tendência. O vigésimo aniversário da ZDB, o Jameson Urban Routes, o GNRation de Braga e pontuais escolhas do Vodafone Mexefest dão que salivar mas um bando de pardais não faz o Outono e o cenário comparado com o de há alguns anos em que as bandas vinham a festivais e marcavam sala, dá ideia que a música ao vivo se tornou uma cerimónia estival patrocinada por uma qualquer marca ruídosa. Eis algumas das digressões que para desgosto generalizado não estão a passar por Portugal.

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Jessie Ware à procura da perfeita devoção

Jessiewarecapa

Tough Love é mais pop que Devotions? Sim. Pode atingir plateias mais vastas? Também. É candidato a vencer o Mercury? Não, mas é um meio-termo eficaz entre produção contemporânea e canções emocionais com potencial bélico de detonar corações. O que não espanta para quem acaba de se casar. Talvez o momentum de Jessie Ware justifique o peso das baladas num segundo álbum com tudo para decalcar o efeito agregador de Ceremonials na evolução de Florence + The Machine.

Há dois anos, Devotion fazia da cantora de sessão de SBTRKT uma voz em nome próprio e central em nova movida electrónica londrina disposta a bordar bass music, dubstep, breakbeat, house, 2 stepUK Garage em canções pop de grande consumo. Mas onde este envolvia em sedução, Tough Love vai directo ao assunto. Mais emotivo como Cindy Lauper ou Kate Bush, ainda refinado pelos melhores produtores (Two Inch Punch, Blood Orange) mas sem a respiração de Sade, apesar da recordação de Sweetest Taboo em Champagne Kisses. 

Tudo o que Jessie Ware faz é bem feito mas a malha está mais apertada. Tough Love não tem a liberdade lo-fi de Devotion e a linguagem que há dois anos era ainda um esboço sobre a inclusão de novas tendências em espaço pop, é hoje um dado adquirido graças não só a Jessie Ware mas também a cabecilhas como Disclosure, SBTRKT ou antes The xx.

Definidas as fronteiras, ganha-se auto-conhecimento. A obsessão retro-soul é vincada por uma cantora definitivamente encaminhada para passadeiras vermelhas mas vingam as baladas orelhudas e arredondadas. Ainda assim, este regresso é um meio-termo eficaz entre o refinar de uma linguagem testada nas margens e uma figura que encontrou um centro gravitacional.