Pré-Escuta #27

Tameimpalacapa

A condição obrigatória de Currents era uma quase certeza mas Kevin Parker empregou requintes de malvadez na elaboração de uma obra brilhante na sua complexidade sem a pretensão de grandes catedrais artísticas reconhecidas pela história. Não há no regresso dos Tame Impala um pingo de audácia além da simplicidade e, no entanto, o resultado final é magnífico. Está encontrado o pódio completo do primeiro semestre e um mês de férias. Currents está sólido ao lado de To Pimp a Butterfly de Kendrick Lamar e Carrie and Lowell de Sufjan Stevens. Kanye West, estamos à tua espera para mudar o mundo.

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Até onde nos leva Four Tet?

Fourtetnova

Não há idiossincrasia que resista à vontade dos quadris. Não há mente que aguente o ímpeto corporal. Kieran Hebden é um teórico que sabe como pôr as gentes a dançar. Não lhe peçam êxitos nem remisturas dos Radiohead quando essa não é a razão pela qual vem a Lisboa esta sexta-feira, não só na qualidade de DJ mas também de curador na noite do raio verde.

Precedem-no uma elite formada por nomes como James Murphy e os Hot Chip. Four Tet faz parte de uma constelação cada vez mais rara de músicos ligados à máquina com alma e coração que sabem resistir ao facilitismo generalizado e procuraram o raro bom. A produção do novo álbum de Omar Souleyman Wenu Wenu define o descobridor incansável sedento de estímulos.

A mão de Hebden no maior artista sírio de todo o sempre não é pesada. Um par de canções lentas enganam. O primeiro longa-duração para a Domino é para dançar. Só. Podemos especular sobre o que está Souleyman a pregar mas as palavras que canta são sobretudo mandamentos sonoros para voltar o umbigo para Alá e bailar.

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Álbuns da Semana #25

Polica

A melhor electrónica sempre foi a que veio do coração. A máquina executa o que o cérebro decide e não o contrário. Se hoje estamos alienados pela tecnologia, a responsabilidade é nossa mas também há bandas sonoras para reflectir sobre essa problemática filosófica.

As tecnologias já não são novas; estão assimiladas. O computador, o telemóvel, o auto-rádio, a batedeira, o micro-ondas e o frigorífica são utensílios sem os quais temos dificuldade em sobreviver. O mesmo se passa com a pop onde a interferência digital já faz parte da correia criativa de transmissão.

O rock não morreu nem nunca haverá de perecer, convenhamos, é muito difícil inventar o que quer que seja dentro do eixo baixo, bateria e guitarra. E se o mundo mudou tanto nos últimos anos – graças à tecnologia – a música só tem que acompanhar o progresso e antecipar o tempo. Pode ser já esta semana com álbuns de Poliça, DJ Rashad, James Ferraro, Ryan Hemsworth e CFCF. A tradição também está bem defendida com os regressos em EP de Best Coast, Matthew E. White e Ducktails.

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